Monthly Archives: April 2013

… Daí que eu fui pra Belfast

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(Fotos sutilmente furtadas do facebook do Marcel Gugoni)

 

Belfast é a capital da Irlanda do Norte. É uma cidade que vive uma “guerra fria” civil, entre católicos e protestantes; entre quem se diz irlandês e quem se diz britânico. Houveram muitas mortes, atentados, desavenças entre os dois povos que habitam a mesma cidade, então foi construído um muro tipo o muro de Berlim, pra dividi-los. Há alguns portões que moderam a passagem as pessoas de um lado para o outro. Os portões são abertos apenas das 6am até as 8pm, e são monitorados pela polícia. Alguns portões, porém, nunca são abertos. Esse muro existe até hoje e não há previsão para ser derrubado, uma vez que ambas as partes se sentem seguras com a existência do mesmo. Há inúmeras mensagens de paz que os turistas deixam na extensão do muro (e é claro que eu não deixei de colocar a minha).

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Dei uma passada pela Queen’s University, mas quase não consegui aproveitar nada porque o tempo estava terrível (chovia/ventava/fazia frio). Então o que eu realmente posso falar pra vocês é sobre o museu do Titanic. Ele foi construído em Belfast, e é por isso que o museu dele fica lá.

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É repleto de história, detalhes, relatos, e super interativo. A gente perde alguams horas pra ver tudo, mas vale muito a pena. Eu já acho meio triste, porque a parte final possui a transcrição dos últimos momentos de Titanic sobre o mar, e conta um pouco das histórias dos sobreviventes e dos que não sobreviveram. Tem vídeos de mergulhadores visitando o local atualmente, e da situação que ele está. Dá um aperto no coração vendo tudo o que foi construído, tudo o que o Titanic significou para a época, todas aquelas vidas, e tudo se tornando história. Mas, desde que cheguei aqui na Irlanda, foi o melhor museu que já visitei, sem dúvidas.

Belfast também conta com o melhor pub que eu visitei na Irlanda, também: Kelly’s Cellar. Um típico pub irlandês, bem antigo até. Tipo um “dungeon”, mas cheio de música boa e gente animada (e quando eu digo gente animada, pode colocar gente de 60 e poucos anos animadaça).

Ah, outra curiosidade: por fazer parte da grã bretanha, a Irlanda do Norte tem como moeda a Libra Esterlina. É sempre uma função ficar trocando euro por libra, mas vai se fazer o que…! Pelo menos o cartão do banco funciona lá!

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… Daí que eu fui pra Wicklow

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Wicklow é uma cidadezinha aqui pro interior da Irlanda. É pequeninha, não fiz muita coisa por lá não, mas tem um museu que antigamente foi uma prisão bem interessante. Conta toda a história desde que ele foi construído, das condições das pessoas que viviam lá, das sentenças que as pessoas ganhavam (por exemplo, 1 semana de reclusão por roubar uma galinha. A pena valia para crianças também). Muitos foram transportados para a Austrália, inclusive presos políticos, e no museu eles contam um pouquinho como foi isso. Tem até pedaços de cartas ou de escritos nas paredes que eles ainda conservam, em que os presos contam como foi a sua jornada. O mais interessante, na minha opinião fantasiosa, é que as pessoas que te recebem pra fazer o tour vestem roupas de época, e agem como se estivessem conduzindo os presos (nós) pelas celas.

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Depois de dar uma voltinha por Wicklow, nós fomos parar numa praia ali perto. Quer dizer, pra brasileiro isso ta longe de ser praia, mas quebra o galho…

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E uma notícia maravilhosa: essa semana, FINALMENTE, está esquentando!! Fez 13º esses dias, deu até pra sair sem casaco na rua. E viva a primavera!

… Daí que eu tenho um Seu Barriga na minha vida

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Eles chamam de Landlord, e vou tentar explicar da maneira que eu entendo: o Landlord é o dono do imóvel. É ele que está alugando o imóvel/quarto/sofá para você. Algumas vezes o Landlord mora no imóvel, e você divide casa com ele (menos comum), outras não. Geralmente, quando se procura um quarto em uma casa por aqui que já está ocupada por mais pessoas, apenas vagou um espaço, você trata com as pessoas que estão morando lá e faz o depósito para o Landlord, mas se você vai alugar algo do 0, trata tudo com o Landlord mesmo. Aqui é muito comum o aluguel de quartos, não a casa propriamente dita, primeiro porque raramente alugam casa para estudantes/estrangeiros (eu ainda não descobri o por quê/não obtive explicações convincentes) e segundo porque é muito mais barato alugar um quarto.

Ah, algumas pessoas me perguntaram por que eu precisava me mudar… Bem, acontece que, geralmente, quem viaja para ficar bastante tempo fora assim como eu vem aqui pra Irlanda com uma acomodação provisória, que em geral é mais cara, de até um mês, para depois procurar um local definitivo mais barato. As opções variam de hostel, casa de família e residencial estudantil da escola (minha opção). No meu residencial tive muitas facilidades, era um lugar muito bom, eu gostava muito das pessoas, por mim eu não sairia de lá. Mas tinha um pequeno problema: era caro pra burro. Aqui na minha nova casa eu pago menos da metade do que eu pagava no residencial (e não quer dizer que é barato), estando mais perto da escola, inclusive. Não se compara em termos de conforto, facilidades, entre outros, mas o fator preço pesa muito. Acontece que eu contratei o residencial por um mês, e era esse o tempo que eu tinha pra achar outra moradia, também.

Bem, eu estava falando do Landlord. No nosso caso, como alugamos um quarto em uma casa que estava sendo reformada, nosso quarto ainda estava “zerado”, e falamos diretamente com o Landlord. Rapaz irlandês, gente boa. Mas aí vem as “coisinhas” que a gente só descobre vivenciando mesmo…

1) No momento que você fecha o acordo pra se mudar, tem que fazer o depósito para o Landlord. O depósito é uma “garantia”, não sei bem do quê. Equivale a um mês de aluguel, e é um dinheiro morto. Você vai ter ele de volta, mas só depois que sair do imóvel. Ou seja: o dinheiro é seu ainda, ele te pertence, mas você não pode usá-lo. Tudo bem…

2) O primeiro aluguel é pago assim que você põe os pés no imóvel. Não é que nem no Brasil que chega final do mês e você paga tudo o que utilizou: nananinanão. Aqui se paga com antecedência. Vai ficar esse mês? Então paga. Não vai? Pode ir embora. É mais ou menos assim, com algumas coisas a mais. Acontece que desse pagamento no ato nós não sabíamos… E a minha amiga se mudou pra cá uns 2 dias antes de mim, e começou a receber mensagens do Landlord cobrando o aluguel. Ela se fez de salame até eu aparecer aqui, 2 dias depois. E eis que eu recebo uma mensagem do Landlord…

“Oi, como foi sua mudança? Já está na casa?”

“Já! Foi tudo bem, estou desfazendo as malas!”

“Ótimo! Você já tem o dinheiro do aluguel? E, aliás, a Lais está em casa?”

Gente, me senti o Seu Madruga. Que dinheiro de aluguel que nada, não tinha nem tirado meu visto ainda, precisava do dinheiro preso no banco, uma correria. E eu tendo que enrolar o Seu Barriga em questão sobre a Lais… Sei que tiramos o dinheiro, e uns dias depois ele veio recolher. É muito gente boa o cidadão, mas tem vezes que a gente se sente meio inquilino Seu Madruga, sabe? É meio complicado de explicar. Uma dessas experiências novas que dá muita dor de cabeça, mas também dá muita risada. Sei que, mais cedo ou mais tarde, vai vir a mensagem: “Oi! Tudo bem? Você tem dinheiro pra pagar o aluguel?”

Seu Madruga lifestyle.

… Daí que eu levei 15 horas pra tirar o visto

Eu não sei se tem muito o que explicar. 15 horas falam por si só.

Vocês acompanharam a história até eu vir pra casa almoçar e tomar um ar porque eu era a última da fila, número 250. Resolvi voltar as 15h30 pra imigração. Olhei no painel… tavam chamando a ficha 147. Me deu um frio que correu da espinha até a nuca. QUE? 147? QUE HORAS EU VOU SAIR DAQUI? E era um daqueles dias que você está cansado demais e frio demais pra ti ficar zanzando sozinho sem destino (no final do dia eu fui descobrir que eu estava era ficando doente mesmo), então resolvi ficar por ali mesmo e fazer novos amigos com o pessoal que também estava esperando ali e também iam ficar uma eternidade. E o tempo passou… passou… passou… e continuou passando. Não foi romântico, mas foi eterno. Isso que saímos, demos uma volta, fizemos compras, lanchamos, e quando reternamos, umas 18h30… ficha 200. Não dava pra acreditar. Ainda mais com um bando de gente ali e, acredite se puder: de 13 guichês, apenas 3 funcionando. E funcionando que nem a minha cara quando acordo de manhã cedo pra fazer uma prova.

Sei que chegou 20hs (o lugar fecha as 21) e uma senhora veio dizer “se alguém puder voltar amanhã, volte, porque não sei se poderemos atender a todos hoje. O sistema está muito lento”. O QUE? Minha senhora……. QUEM em sua SÃ CONSCIÊNCIA vai passar um dia INTEIRO na imigração até as 20hs, e vai aceitar voltar no dia seguinte???? … A Bruna, é claro. Só pensando: eu sou a última, se ela ta dizendo isso, as minhas chances de serem atendidas hoje são quase nulas. Aí ela foi lá, assinou minha senha pra retornar no dia seguinte… mas eu resolvi esperar mais uma hora. Quem esperou por 11 horas, espera 12, correto? E um pessoal já tava se mobilizando pra voltar no dia seguinte também… então, as chances aumentaram.

E foram chamando… chamando… chamando… O tempo passando… Aí chegou 8h45… Chamaram a ficha 249. Quase chorei de emoção! Eu sou a próxima!!! Eu sou a próxima!!!

… E o tempo passa…

20h55. Senha 250. Quase chorei. Saí correndo, não vi nada nem ninguém na minha frente, só o guichê número 4.

“Desculpe, mas infelizmente não poderemos mais atendê-la hoje porque vamos fechar em breve. Você terá que voltar amanhã, ok?”

Eu não sei bem o que passou na minha cabeça naquela hora, mas com certeza a minha expressão facial expressava bem os meus sentimentos, porque a pessoa me pediu desculpa umas 3 vezes e tentava me tirar da frente dele. Sei que eu falei: mas eu sou a ÚLTIMA! Eu sou a ÚNICA que não foi atendida!… “Sinto muito, você vai ter que voltar amanhã. Mas pode vir direto falar comigo, não vai levar mais de 10 minutos, tu vai ter atendimento prioritário!”.

Só pra resumir, o atendimento prioritário do querido durou quase 3 horas no dia seguinte, e a minha amiga (aquela que perdeu a senha no dia anterior) conseguiu fazer o visto antes de mim.

 

Isso me ensinou 2 coisas:

1) Parem de reclamar do serviço público brasileiro. MESMO.

2) O mundo dá voltas. MESMO.

… Daí que eu fui (tentar) fazer o visto

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E posso dizer pra vocês que ir na imigração tirar o visto me fez sentir como se eu estivesse no Brasil: burocracia, má vontade, filas enormes, esperas intermináveis.

Perdi um dia de aula pra tirar o visto porque, apesar do serviço funcionar até 9 horas da noite, depois de determinada hora da manhã eles não dão mais senhas pra ser chamado porque superlota. Eu e minha room mate acordamos cedo, e chegamos lá às 8h30 da manhã. No que fomos falar com o cidadão da imigração que nos passa a senha para os chamamentos, ele olhou nossos documentos e disse que a carta da escola estava irregular, já datava de mais de uma semana e ele não poderia aceitar. Achamos meio estranho, porque todo mundo leva mais de uma semana pra fazer o bendito do visto e isso nunca foi um problema… tudo bem. Voltamos a pé até a escola. Pegamos outra carta. Voltamos pra imigração. Perdemos +/- 1h nessa brincadeira de vai pra lá e vai pra cá. Daí voltamos a falar com o mesmo cara da imigração…: “estudante? é na outra fila”. Olhamos pro lado e vimos uma fila que fazia 3 curvas diferentes dentro do prédio. Não acreditei. E a vontade de mandar o cara longe em português, só de raiva? Já tinha visto que a carta de apresentação era de uma escola, o que que eu ia fazer ali? Tirar visto de malabarista de rua? Mas calma, tu tá irregular no país (ainda), cala a boca e vai pra fila…

Gente, gente, gente. Não parava de vir gente. Na nossa frente? Brasileiros. No nosso lado, na dobra da fila? Brasileiros. Estamos em todo lugar. E daí que o cara da minha frente solta essa:

– “É a segunda vez que estou vindo aqui. Ontem de manhã eu vim, e as 10hs acabaram as senhas. Eu era o próximo da fila, a ficha acabou na menina da minha frente… To com medo que aconteça o mesmo hoje, porque ontem tinha menos gente…”.

O QUE? Olhei o relógio. 9h30. Disse não é possível… Não é. Vira essa boca pra lá.

Esperamos. Esperamos. Esperamos.

Os brasileiros da minha frente foram chamados, enfim. Pra pegar a senha, diga-se de passagem. Já era 10h20. Aí foi a minha vez, e eu descobri que uma pessoa com muita boa vontade simplesmente imprimia a senha e entregava, sem perguntar nada, mas com tanta boa vontade que de repente se levantava, sumia, ninguém assumia o lugar e a fila só aumentava. Não dava pra crer. Aí, veio a minha senha: nada mais nada menos que 201 pessoas na minha frente. Olhei os chamamentos: senha 53. Tinha que ser brincadeira.

Depois de mim, a minha room mate veio atrás pra tirar senha. Foi aí que eu vi a maior sacanagem da minha vida de qualquer órgão público existente: ela ficou 10 minutos sentada, no guichê de atendimento só pra pegar uma senha, olhando pra uma cadeira vazia, e quando a pessoa retornou para atendê-la, apenas fixou um cartaz no vidro dizendo que não dariam mais senhas por já estarem muito ocupados.

O QUE?

Olhei pra trás. Uma fila interminável, que só aumentava, de gente pra pegar senhas. E a mulher simplesmente não avisa nada. Senti um misto de raiva e remorso pela minha amiga, que terá que perder outro dia de aula porque as pessoas são muito dispostas a trabalhar, mas eu consegui a senha. Acho que só vou ser atendida às 9hs da noite (são 12h20 agora), resolvi voltar pra casa, porque não vale a pena ficar presa no lugar, sem ter onde sentar, por mais de 4hs.

 

Desejem-me sorte, talvez eu tenha meu visto hoje. Talvez não. Aguardem novas atualizações…!