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… Daí que se você achava que no Brasil tinha piriguete…

… É porque obviamente nunca veio pra Dublin.

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Stalkerzice à parte, voltávamos para casa num dia frio e chuvoso quando nos deparamos com essa menina de uns 13 anos vestindo esse modelito. Eu posso até começar a parecer uma tia chata recalcada, mas, ahhhh se fosse minha filha…!

Acontece que em Dublin a coisa mais comum que tem é ser piriguete. Não precisa necessariamente ter corpo pra isso, nem ser vulgar ou sensual. O negócio é colocar algo bem curto e mostrar tudo mesmo, ainda que tudo seja quase nada. O que mais surpreende é que aqui eles levam a sério o já famoso dito popular “piriguete não sente frio”. Era inverno quando eu cheguei aqui, nevava lá fora, eu tremia de frio enrolada em tudo que era de lã que tinha no meu armário, temperaturas negativas e… Irlandesas na rua vestindo um vestido tomara que caia tão curto que à medida que andavam dava pra ver a bunda. E isso não era uma nem duas, era sempre, todos os lugares que íamos, nas ruas mesmo. Claro que provavelmente a ideia era entrar na balada, que era mais quentinha de fato, mas tinha que aguentar um tempinho pra lá e pra cá na neve.

Mesmo sendo brasileira, o país conhecido por mostrar tudo mesmo, juro que nesse nível eu nunca vi.

Por outro lado… dá uma chegadinha na praia pra ver o tamanho dos biquínis que essas mulheres usam. Meu short é mais curto do que eles.

Aiaiai essas ironias irlandesas…

… Daí que meu lugar favorito em Dublin se chama Grafton Street

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A “Rua Grafton” é, de longe, meu lugar preferido em Dublin. Qualquer hora que se passe, é divertido. É uma rua toda de tijolinhos, onde não passa carro (salvo carros de limpeza, polícia, construção, algo governamental, mas ainda assim é raro e passam bem devagar) e sempre tem MUITA gente transitando pra lá e pra cá. Tem várias lojas de roupas, em geral com preços mais salgados, mas também concentra variedade em termos de telefonia (quase todas operadoras de celular tem loja ali, a Vodafone tem 2, inclusive), fast food (1 Mc Donalds, 2 Burger Kings), banco, entre outros. E o que mais surpreende é que é uma rua razoavelmente pequena pra tanta concentração: em menos de 5 minutos é possível percorrer toda sua extensão.

Mas o que faz da Grafton Street um lugar sensacional são as apresentações de rua que ela oferece. Músicos, artistas, pessoas se fingindo de estátuas, homem-que-faz-bolhas-gigantes, dançarinos, acrobatas, tudo o que você possa imaginar, e ainda por cima de qualidade! E a criatividade rola solta, como dá pra ver nessa foto. As vezes as apresentações são tão interessantes que um número considerável de pessoas para pra assistir; chega até a ser complicado de enxergar o que está acontecendo, ou até mesmo de transitar na rua. Não tem como cruzar a Grafton sem dar pelo menos uma espiadinha curiosa no que as pessoas estão apresentando.

Durante a noite, existe as “bicicletas-táxi” que te levam pra qualquer ponto no centro da cidade. Nada mais é do que uma bicicleta acoplada a uma cabine semi-aberta que cabem em média 3 pessoas, e o “motorista” se mata pedalando pra levar até o destino. Cheguei a andar numa dessas um dia e achei divertidíssimo, embora o preço seja um pouco salgado. Cruzando a Grafton de noite é se deparar com muitas dessas bicicletas pra lá e pra cá. Quanto mais noite for, a diversão fica por conta das pessoas bêbadas voltando pra casa e achando que são artistas da Grafton.

Não importa a hora: a diversão é garantida!

… Daí que eu me aventurei a fazer feijão e lentilha.

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Dia desses, conversando com a minha colega, comentei que sentia muito cansaço aqui em Dublin. Não sabia se era porque tinha aula todos dias de manhã cedo, se era porque andava demais, ou porque sempre tinha algo pra fazer. Ou tudo junto. Ela me falou “é a alimentação!”. Eu discordei, porque acho que minha alimentação aqui é razoavelmente boa, diversificada, sempre procuramos colocar legumes, vegetais, comer coisas saudáveis. Aí ela me falou “é, mas tu tem comido ferro?”. Aí o problema que eu expliquei pra ela, que é espanhola, foi o seguinte: sou brasileira, e o feijão que eu estou acostumada a comer é muito diferente do que aquele que vendem nos supermercados. Aqui, é tudo enlatado. Latinhas pequenas dum feijão feio e sonso num molho de tomate. É a visão do inferno. Moral da história, é impossível comer feijão. “Mas tu pode comprar feijão e lentilha no mercado indiano”. Ahn? Isso existe? E, na curiosidade, fui lá ver… E, rapaz! Uma variedade de lentilha e feijão, viu. Escolhi aqueles que eram mais parecidos com os que eu como no Brasil e pedi ajuda no facebook pra dona do melhor feijão do mundo: mamãe! Moral da história, mesmo sem panela de pressão, o feijão ficou delicioso. E a lentilha não fica por menos não! Uma opção barata, surpreendentemente gostosa e nutritiva!

… Daí que eu fui pra Galway.

… E posso dizer sem sombra de dúvidas: a melhor viagem, até agora!

Galway fica no extremo oposto da Irlanda, do lado do Oceano Atlântico, há mais ou menos 3hs de distância de ônibus de Dublin. Na verdade de verdadinha aproveitamos pouco de Galway propriamente dita, porque no mesmo fim de semana visitamos também os Cliffs of Moher e fomos até as Aran Islands. Então, vamos por partes, como diria Jack:

 

… Daí que começamos pelos Cliffs of Moher.

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A paisagem é extraordinária, dizendo pouco. Dessa vez, vocês podem ver, o clima ajudou muito! Acho que foi a temperatura mais quente que já peguei na Irlanda: 24º. Dia lindo, sol maravilhoso, pouquíssimas nuvens no céu e essa paisagem deliciosa. Ficamos um tempão passeando por lá, e nem vimos o tempo passar. Parecia que quanto mais andávamos, mais bonita a paisagem ficava… acreditem! Vale muito a pena conhecer esses Cliffs, que são um dos pontos turísticos mais visitados da Irlanda!

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… Daí que fomos passar a noite em Galway

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Foto do pub que visitamos.

Nota-se que Galway é uma cidadezinha de interior. Apesar de Dublin ser pequena, Galway tem um ar de “todo mundo se conhece” e “tudo é perto” que tu só vê no interior mesmo. Não vimos muito da cidade, como eu já disse antes, porque já chegamos no final do dia, cozinhamos pra não morrer de fome e fomos até o pub. O que valeu aí foram as boas companhias, certamente! E de noite, no hostel, um calor infernal (sim, porque aqui 24º é um calor infernal), fomos dormir de janela aberta e… adivinha? Umas 50 gaivotas no telhado do prédio em frente, achando que tavam na Disney. Foi a primeira vez na vida que eu dormi embalada ao som de gaivotas!

E na parede do hostel tinha esse recadinho legal:

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… Daí acordamos e fomos direto pras Aran Islands.

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Pegamos o ferry, que é um barco de nome pomposo, e fomos pra ilha. Simplesmente linda!  Coloca no chinelo muita praia brasileira. Água cristalina, colinas verdes, areia branquinha… Alugamos uma bicicleta pra passear por lá, e ali ficamos o dia todo. Simplesmente perfeito. E, claro, no calor que fez, somado ao exercício da bicicleta, no minuto em que pisamos nessa praia nos jogamos na água com a roupa que dava pra ir. Gente doida, mas feliz!

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E aí ta a foto do nosso barquinho! Sei que vale muito a pena esse roteiro, mas claro, com um dia maravilhoso pra acompanhar tudo. Aí tudo vale muito a pena!

 

… Daí que eu fui pra Howth.

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(Foto sutilmente furtada do facebook do Dal porque a bateria da minha câmera morreu no caminho..!)

 

Howth é uma cidadezinha portuária com cheiro de peixe. É a melhor descrição que eu posso dar. Como dá pra ver pela foto, o tempo não ajudou muito, mas fizemos uma trilha pelos morrinhos e deu pra ter uma vista bem legal. A Irlanda possui paisagens muito bonitas, e quando o sol ajuda, a gente se privilegia! Nesse caso, Howth é um lugar muito legal pra fazer uma trilha num dia de sol, eu imagino!

… Daí que eu me mudei

…E finalmente vim escrever um post sobre isso!

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Foto da sala de estar, é claro, porque FINALMENTE temos uma sala!!

 

Bem, acontece que já faz um mês que eu estou nesse flat, e por mais incrível que pareça eu não tive tempo de vir aqui escrever. Tem sempre muitas coisas acontecendo, e quando eu penso no tamanho da atualização eu já desanimo…! Mas vamos lá, vou dar uma encurtada na história.

Vocês bem sabem que eu morava num quarto alugado numa casa com uns 15 quartos, onde eu não tinha sala de estar, e onde o banheiro e a cozinha eram comunitários. A cozinha não tinha fogão, era um forno elétrico com duas bocas em cima, demoraaaaaaado…! E, vez ou outra, sumia o nosso óleo de oliva, vinagre, “aquele frango era meu ou dela?” e coisas do gênero. Nos incomodamos com os outros moradores, o landlord vivia no quarto do lado e vez ou outra a gente se atazanava com isso, mas o principal MESMO é que não tínhamos nenhum lugar pra ficar na casa, só o nosso quarto. Ou melhor, ficar o dia todo na cama mesmo. A localização era ótima, mas estávamos cada vez mais “atiradas” dentro do quarto, que não tinha espaço suficiente para nós. Pensando nisso, procuramos algo mais barato e que fosse uma “casinha de verdade”, por assim dizer. Coloquei alguns filtros nos sites pra aluguel de casas, e encontramos este flat. Depois de muita negociação com o landlord (esse muito querido, por sinal), conseguimos convencê-lo a colocar 3 pessoas nesse flat de 1 quarto. Não é a oitava maravilha do mundo, mas com pessoas que a gente se dá bem tudo fica tranquilo. Ainda não achamos a terceira pessoa pra ficar definitivo morando com a gente, e por enquanto estamos com alguma temporárias, mas o importante é: temos sala. Temos fogão (BOM!). Temos privacidade. E, embora seja lá onde juca perdeu as botas (30 minutos andando até a escola!), é uma zona muito boa, tranquila de se andar de noite, bem residencial. Moral da história: estamos felizes! 🙂

 

E tem algumas outras curiosidades que eu queria contar pra vocês, e esqueci de colocar no outro post…

… Daí que aqui ninguém compra copo.

A moral é furtar dos pubs mesmo. E se você tá aí pensando: “nossa, tinha que ser essa brasileirada que invade os outros países pra fazer baderna”, você está redondamente enganado. Aqui o que você mais vê é irish colocando seu copinho dentro da bolsa ou do casaco quando acaba a sua pint. Eu que sou brasileira (e, segundo manda a cultura, malandra) ainda não tive coragem de fazer uma dessas, mas é por excesso de vergonha na cara mesmo, porque é a coisa mais comum que acontece nos pubs. E eu acho que o maior motivo disso é pela grande diversidade de copos belíssimos que eles tem, de todas as marcas possíveis e imagináveis, com vários formatos e emblemas. É como um pequeno troféu daquela cerveja que você tomou e que não existe no Brasil. Vai acreditando em mim, porque é assim mesmo que as coisas acontecem!

… Daí que não existe conta de água.

Sempre ouvi falar que na Europa havia falta de água, mas me explica essa daí: o país não possui conta de água. Essa é uma que até hoje eu não entendo, mas acho o máximo. Existem alguns boatos de que esse ano instaurarão essa conta fixa, dada à crise européia. O fato é que hoje, 25/06/2013, conta de água é uma coisa que você não precisa se preocupar se está na Irlanda. E o melhor disso, sinceramente, é que você pode ir num pub e pedir um copo de água com gelo e limão e, adivinha? É de graça! Pode tomar galões de água se você quiser, é free. E aqui é super comum tomar água da pia, viu? É bem estranho no começo, mas acaba se tornando um hábito, porque todo mundo serve água da pia pra você (e óbvio, se você está com sede, não vai reclamar). Dizem por aí que não é a coisa mais saudável do mundo, pelo flúor e tudo mais, mas só pra passar um tempo de intercâmbio não vai matar ninguém não! E, lembrando: é uma das poucas coisas de graça que você vai ter por aqui!!

… Daí que rapadura é doce mas não é mole não!

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Foto das últimas aquisições do supermercado.

 

Bem, acontece que eu estou procurando emprego, caminhando em média 4 horas por dia entregando currículos por toda Dublin com amigos, batendo de porta em porta pra trabalhar de qualquer coisa. Mas como não tá fácil pra ninguém, não consegui emprego ainda. Reza a lenda de que é razoavelmente tranquilo conseguir emprego de au pair (babá), e pelo que eu tenho ouvido falar é o que mais dá retorno realmente (eu continuo fazendo bicos de baby sitter, mas apenas quando a família precisa de mim, ou seja, uma ou duas vezes por mês.. e isso não paga as minhas contas!). O maior problema do au pair é que ele possui duas modalidades: live in, ou seja, tu mora com a família. Isso significa ganhar salário (em média 100 euros por semana), não pagar aluguel nem comida, ou seja, praticamente não possuir conta alguma. Mas, por outro lado, também significa ter a privacidade tolhida e, muitas vezes, virar escravinho (ou vai me dizer que tu vai deixar de atender a criança porque não é sua hora de trabalho?). Não é algo que sirva pra mim no momento, até porque acabei de me mudar (falarei sobre isso quando tiver fotos decentes do flat!) e eu estou curtindo viver a minha vidinha em liberdade. Daí temos a outra modalidade: live out. É o mesmo esquema de babá normal, diário, mas você volta pra sua casa no fim do dia. Seria perfeito, se não pagasse tão pouco (em média 150 euros por semana), o que significa que não paga as minhas contas no fim do mês. Existe ainda o childminder, que paga bem mais (de 200 a 250 por semana) e aí sustentaria mais tranquilamente, mas com o detalhe que é muito mais difícil de conseguir (até hoje só vi por indicação). E aí caímos na realidade: vamos bater perna todo dia, porque au pair (ainda) não paga as contas…! Mas, pra ser sincera, job seeker também não.

 

Dublin tem algumas curiosidades interessantes, que eu queria compartilhar com vocês, mas não tenho texto suficiente pra post específico:

… Daí que aqui amanhece antes das 5h e anoitece depois das 22h

É uma loucura. Parece que é sempre dia. Não é à toa que a maioria das pessoas sofre de insônia ou algum mal que atrapalha o sono: está sempre claro! E a “melhor” parte é que você acorda de madrugada com a janela bem clara. É estranhíssimo. A parte boa, claro, é que as vezes é 22hs e eu to andando na rua de dia ainda…!

… Daí que Dublin não vende bebida alcoólica em estabelecimentos após as 22h

E essa é a maior incoerência que eu já vi nessa cidade. Conhecida pelos pubs, pelas cervejas, bebidas em geral, e por muita gente bêbada independente do dia da semana, a cidade simplesmente não vende bebidas após as 22h. Você tem que ir num pub beber, se quiser. Agora, vai comparar o preço do supermercado com o do pub… é absurdo! Portanto, aqui não tem essa de ir de noite comprar nenhuma bebida em loja não. Mesmo as lojas que nunca fecham, a parte das bebidas é trancada. Curiosíssimo.

… Daí que todos os semáforos aqui emitem sons quando o sinal abre para o pedestre

E apesar de ser meio irritante aquele TUTUTUTUUTUTUTUTUTU ininterrupto e em alto e bom som, é super útil para os deficientes visuais. Em Porto Alegre nós temos alguns desses semáforos, mas aqui são literalmente todos! Acaba sendo útil pros intercambistas também, e aí eu falo por experiência própria, pois muitas vezes eu não me antenava se eu podia atravessar ou não, aí eu ouvia o barulho e seguia firme forte e confiante!

… Daí que eu descobri que bergamota é um calmante natural

E não tem mais o que dizer: é isso mesmo! É deliciosa, é docinha, suculenta, barata… E pros dias que nem eu me aguento, é um salvador da pátria. Tem gente que bebe, tem gente que chora, tem gente que toma remédio… eu como bergamotas.

… Daí que a internet aqui chega a 150mb

Isso sim é um tapa na cara do Brasil. A internet é de alta velocidade e, diga-se de passagem, funciona! Nunca tive problemas com ela, salvo o sinal fraco nos lugares onde eu morei (no primeiro residencial o sinal não chegava no meu quarto e no segundo local que morei caía direto pela distância do modem. Agora eu sinceramente não tenho do que reclamar!). Mas é isso: eu possuo uma internet de 20mb, que satisfaz todas necessidades de downloads da minha vida. Ao mesmo tempo, tenho amigos com internet de 150mb que satisfaz todas as necessidades de jogos on line da casa ao mesmo tempo. É um absurdo de internet, só isso que eu tenho pra dizer.

 

E no próximo post, eu juro que conto do meu flat novo: da sua busca à sua realização!