… Daí que tudo aqui mofa!

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É um inferno.

Você compra o pão hoje. Daqui 5 dias ele mofa. Põe na geladeira. 7 dias ele mofa. Masse de tomate. Mofa. Salsicha. Mofa. Tomate. Mofa. Tudo isso numa velocidade impressionante. Tudo mofa!

A ideia é não fazer compras pra semana, mas comprar tudo o que se vai utilizar num período máximo de 3 dias. Agora, quem é que tem saco de ir várias vezes por semana no supermercado?? Com exceção do meu pai, acho que ninguém. Daí a gente arrisca, coloca tudo no congelador, reza pra não mofar… e mofa.

Ainda não entendi muito bem o que é que acontece, por que as coisas mofam tão rápido. Já suspeitei que é porque o prazo de validade de tudo o que se compra aqui não é lá o mais avantajado do mundo, e também não sei se não é pela umidade do ar. O fato é que vocês não tem noção de quantos viveiros eu já tive dentro de potes que eu deixei comida na geladeira de uma semana pra outra. E quando eu digo viveiros, não é um pontinho ou outro verde não.. É uma mata atlântica inteirinha!

 

Enfim, se alguém souber de alguma dica ou tiver uma solução pra essa mofaiada toda, me procurem o mais urgente possível!!

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… Daí que eu fui pra Rock of Cashel e Kildare

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Rock of Cashel fica localizado no sudoeste da Irlanda, há mais ou menos 2 horas de Dublin, e como vocês mais ou menos podem perceber na foto, conta com um castelo que já não está lá muito inteirinho pra ser mostrado a quem visita. Na verdade, o castelo em si já não conserva muitas coisas além da estrutura de pedra: o interior, feito de madeira, já foi feito fogueira lá algumas vezes. O resto, o tempo ruiu. Mas o mais interessante do castelo é que conserva uma estrutura com influências francesas, o que não é muito comum no restante da Irlanda. Sua arquitetura é um tanto quanto única por aqui, por assim dizer. Pra mim, o que mais vale mesmo, é a vista que se tem do morrinho onde está o castelo!

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Buenas, depois dessa viagem nós fomos pra Kildare, onde a Bruna não fazia ideia, mas é onde tem um centro de compras com outlet de várias marcas importantes, como Hugo Boss, Ralph Lauren, Tommy Hilfiger… E aí eu não tinha um centavo pra gastar! Elaiá!

Mas fica a dica, se você gosta de loja de marca, Kildare tem preços bem interessantes (pra você que tem uma quantia interessante de dinheiro na carteira, principalmente) e uma concentração razoável de lojas num centrinho. Vale a pena pra conhecer, no mínimo!

… Daí que eu fui na fábrica da Guinness

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Detalhe no trevo desenhado na espuma.

A Guinness é a cerveja mais famosa aqui da Irlanda. É um dos grandes símbolos por aqui, por assim dizer. É uma cerveja preta, encorpada e que você tem que estar muito disposto a gostar pra apreciá-la. Não sou nenhuma fã de cerveja, mas a Guinness tem testado minha paciência, principalmente por ter um gosto muito diferente das demais. Enfim, tem três tipos de pessoas na Irlanda: os que adoram a Guinness, os que odeiam, e os que estão na dúvida se não gostam da Guinness porque não gostam de cerveja ou porque é ruim mesmo (opinião totalmente pessoal, diga-se de passagem!!).

Bem, acontece que a Guinness é super famoso mundialmente, e muito consumida por aqui igualmente. É a grande patrocinadora dos maiores eventos, e como eu disse, um dos símbolos da Irlanda. Acontece que fomos visitar a fábrica, e confesso que fiquei um pouco decepcionada… Ao invés de vermos de fato o processo de fabricação, fermentação, tonéis, sei lá eu, vimos muito texto e pouca interação com o público. Como disseram algumas pessoas: “tudo isso eu encontro no Google!”. Bem, apesar disso, acho que vale sim o passeio. É uma fábrica muito importante pra esse país pra você simplesmente deixar de visitá-la! E o diferencial é que você pode servir sua própria Guinness, em um dos bares da fábrica, e ganhar seu certificado por isso (bem bonitinho!), e no bar no topo da fábrica tem uma vista maravilhosa da cidade. Mas, adivinha??? Pegamos um tempo “maravilhoso”, pra variar…. E as fotos saíram nubladas e cinzentas. Mas claro, valeu a vista!

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… Daí que eu fui pra Malahide

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Malahide pertence à Dublin, e é uma cidadezinha bem pequena que dá pra visitar pegando o Dart (o chamado trem daqui). Visitamos um castelo em que não era permitido tirar fotos no interior, jardins muito bonitinhos pertencentes ao castelo, e um protótipo de praia (eu não consigo chamar aquilo que eles chamam aqui de praia..!).

O bom é que o tempo estava ótimo, e pudemos aproveitar bastante. É meio ruim visitar jardins com tempo nublado, e aqui geralmente está sempre nublado… então tivemos muita sorte! No caminho de volta, ainda conheci duas meninas de Porto Alegre na estação de trem (as primeiras pessoas de Porto Alegre que conheço aqui)! Acho muito importante contar isso porque só de ouvir o sotaque delas bateu aquela saudade do Rio Grande do Sul…! A gente só se dá conta do sotaque que temos quando estamos fora e não ouvimos mais nossos conterrâneos.

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E claro, como não poderia faltar… a foto dum coelho (que eu quase roubei pra casa)!

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… Daí que eu fui pra Belfast

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(Fotos sutilmente furtadas do facebook do Marcel Gugoni)

 

Belfast é a capital da Irlanda do Norte. É uma cidade que vive uma “guerra fria” civil, entre católicos e protestantes; entre quem se diz irlandês e quem se diz britânico. Houveram muitas mortes, atentados, desavenças entre os dois povos que habitam a mesma cidade, então foi construído um muro tipo o muro de Berlim, pra dividi-los. Há alguns portões que moderam a passagem as pessoas de um lado para o outro. Os portões são abertos apenas das 6am até as 8pm, e são monitorados pela polícia. Alguns portões, porém, nunca são abertos. Esse muro existe até hoje e não há previsão para ser derrubado, uma vez que ambas as partes se sentem seguras com a existência do mesmo. Há inúmeras mensagens de paz que os turistas deixam na extensão do muro (e é claro que eu não deixei de colocar a minha).

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Dei uma passada pela Queen’s University, mas quase não consegui aproveitar nada porque o tempo estava terrível (chovia/ventava/fazia frio). Então o que eu realmente posso falar pra vocês é sobre o museu do Titanic. Ele foi construído em Belfast, e é por isso que o museu dele fica lá.

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É repleto de história, detalhes, relatos, e super interativo. A gente perde alguams horas pra ver tudo, mas vale muito a pena. Eu já acho meio triste, porque a parte final possui a transcrição dos últimos momentos de Titanic sobre o mar, e conta um pouco das histórias dos sobreviventes e dos que não sobreviveram. Tem vídeos de mergulhadores visitando o local atualmente, e da situação que ele está. Dá um aperto no coração vendo tudo o que foi construído, tudo o que o Titanic significou para a época, todas aquelas vidas, e tudo se tornando história. Mas, desde que cheguei aqui na Irlanda, foi o melhor museu que já visitei, sem dúvidas.

Belfast também conta com o melhor pub que eu visitei na Irlanda, também: Kelly’s Cellar. Um típico pub irlandês, bem antigo até. Tipo um “dungeon”, mas cheio de música boa e gente animada (e quando eu digo gente animada, pode colocar gente de 60 e poucos anos animadaça).

Ah, outra curiosidade: por fazer parte da grã bretanha, a Irlanda do Norte tem como moeda a Libra Esterlina. É sempre uma função ficar trocando euro por libra, mas vai se fazer o que…! Pelo menos o cartão do banco funciona lá!

… Daí que eu fui pra Wicklow

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Wicklow é uma cidadezinha aqui pro interior da Irlanda. É pequeninha, não fiz muita coisa por lá não, mas tem um museu que antigamente foi uma prisão bem interessante. Conta toda a história desde que ele foi construído, das condições das pessoas que viviam lá, das sentenças que as pessoas ganhavam (por exemplo, 1 semana de reclusão por roubar uma galinha. A pena valia para crianças também). Muitos foram transportados para a Austrália, inclusive presos políticos, e no museu eles contam um pouquinho como foi isso. Tem até pedaços de cartas ou de escritos nas paredes que eles ainda conservam, em que os presos contam como foi a sua jornada. O mais interessante, na minha opinião fantasiosa, é que as pessoas que te recebem pra fazer o tour vestem roupas de época, e agem como se estivessem conduzindo os presos (nós) pelas celas.

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Depois de dar uma voltinha por Wicklow, nós fomos parar numa praia ali perto. Quer dizer, pra brasileiro isso ta longe de ser praia, mas quebra o galho…

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E uma notícia maravilhosa: essa semana, FINALMENTE, está esquentando!! Fez 13º esses dias, deu até pra sair sem casaco na rua. E viva a primavera!

… Daí que eu tenho um Seu Barriga na minha vida

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Eles chamam de Landlord, e vou tentar explicar da maneira que eu entendo: o Landlord é o dono do imóvel. É ele que está alugando o imóvel/quarto/sofá para você. Algumas vezes o Landlord mora no imóvel, e você divide casa com ele (menos comum), outras não. Geralmente, quando se procura um quarto em uma casa por aqui que já está ocupada por mais pessoas, apenas vagou um espaço, você trata com as pessoas que estão morando lá e faz o depósito para o Landlord, mas se você vai alugar algo do 0, trata tudo com o Landlord mesmo. Aqui é muito comum o aluguel de quartos, não a casa propriamente dita, primeiro porque raramente alugam casa para estudantes/estrangeiros (eu ainda não descobri o por quê/não obtive explicações convincentes) e segundo porque é muito mais barato alugar um quarto.

Ah, algumas pessoas me perguntaram por que eu precisava me mudar… Bem, acontece que, geralmente, quem viaja para ficar bastante tempo fora assim como eu vem aqui pra Irlanda com uma acomodação provisória, que em geral é mais cara, de até um mês, para depois procurar um local definitivo mais barato. As opções variam de hostel, casa de família e residencial estudantil da escola (minha opção). No meu residencial tive muitas facilidades, era um lugar muito bom, eu gostava muito das pessoas, por mim eu não sairia de lá. Mas tinha um pequeno problema: era caro pra burro. Aqui na minha nova casa eu pago menos da metade do que eu pagava no residencial (e não quer dizer que é barato), estando mais perto da escola, inclusive. Não se compara em termos de conforto, facilidades, entre outros, mas o fator preço pesa muito. Acontece que eu contratei o residencial por um mês, e era esse o tempo que eu tinha pra achar outra moradia, também.

Bem, eu estava falando do Landlord. No nosso caso, como alugamos um quarto em uma casa que estava sendo reformada, nosso quarto ainda estava “zerado”, e falamos diretamente com o Landlord. Rapaz irlandês, gente boa. Mas aí vem as “coisinhas” que a gente só descobre vivenciando mesmo…

1) No momento que você fecha o acordo pra se mudar, tem que fazer o depósito para o Landlord. O depósito é uma “garantia”, não sei bem do quê. Equivale a um mês de aluguel, e é um dinheiro morto. Você vai ter ele de volta, mas só depois que sair do imóvel. Ou seja: o dinheiro é seu ainda, ele te pertence, mas você não pode usá-lo. Tudo bem…

2) O primeiro aluguel é pago assim que você põe os pés no imóvel. Não é que nem no Brasil que chega final do mês e você paga tudo o que utilizou: nananinanão. Aqui se paga com antecedência. Vai ficar esse mês? Então paga. Não vai? Pode ir embora. É mais ou menos assim, com algumas coisas a mais. Acontece que desse pagamento no ato nós não sabíamos… E a minha amiga se mudou pra cá uns 2 dias antes de mim, e começou a receber mensagens do Landlord cobrando o aluguel. Ela se fez de salame até eu aparecer aqui, 2 dias depois. E eis que eu recebo uma mensagem do Landlord…

“Oi, como foi sua mudança? Já está na casa?”

“Já! Foi tudo bem, estou desfazendo as malas!”

“Ótimo! Você já tem o dinheiro do aluguel? E, aliás, a Lais está em casa?”

Gente, me senti o Seu Madruga. Que dinheiro de aluguel que nada, não tinha nem tirado meu visto ainda, precisava do dinheiro preso no banco, uma correria. E eu tendo que enrolar o Seu Barriga em questão sobre a Lais… Sei que tiramos o dinheiro, e uns dias depois ele veio recolher. É muito gente boa o cidadão, mas tem vezes que a gente se sente meio inquilino Seu Madruga, sabe? É meio complicado de explicar. Uma dessas experiências novas que dá muita dor de cabeça, mas também dá muita risada. Sei que, mais cedo ou mais tarde, vai vir a mensagem: “Oi! Tudo bem? Você tem dinheiro pra pagar o aluguel?”

Seu Madruga lifestyle.